Homilia do Domingo da Santíssima Trindade

Homilia do Domingo da Santíssima Trindade

O grande e sublime mistério

Neste dia celebramos a Festa da Santíssima Trindade, mistério sublime e insondável, que nos foi revelado pela pregação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De fato, toda a pregação de Jesus pode ser resumida na revelação da Santíssima Trindade. Vejamos que a oração que o Senhor nos ensinou é muito simples, e se inicia com as palavras “Pai Nosso que estais nos Céus”. Mas ao falar do Pai, o próprio Cristo afirmou e provou ser Ele mesmo o Filho de Deus, que foi enviado para nos salvar do pecado e da morte eterna. Antes, porém, de subir ao Céu, Ele anunciou a vinda do Consolador, do Espírito Santo, que completaria a Sua obra e nos ensinaria todas as coisas (S. João XIV,26).

Uma imagem: assim como o Sol, a Trindade de Pessoas

Estamos, assim, diante do mais belo e difícil mistério da nossa Santa Religião: a Santíssima Trindade. Há um único Deus em Três Pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo. Cremos em um único Deus e Senhor, que é ao mesmo tempo Trino. O Pai, é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus. E ainda assim, não temos três deuses, mas um só Deus em Três Pessoas.

Para exemplificar essa verdade de fé, vejamos o exemplo do Sol. O Sol é uma estrela que possui três elementos: um núcleo, o calor e os raios. Três realidades diferentes, mas o Sol continua um só. Assim também é a Trindade. As Três Pessoas são realmente distintas, e permanecem na unidade de uma única natureza divina.

O dever de aceitar essa verdade de fé

E essa verdade de fé é necessária para a nossa salvação. Devemos crer com fé firme na grande verdade da Santíssima Trindade, embora não possamos compreendê-La.  E de tal modo essa sempre foi a fé da Igreja, que Santo Atanásio escreveu uma Oração que iniciava com as seguintes palavras:

Quicúmque vult salvus esse, ante ómnia opus est, ut téneat cathólicam fidem” – Todo aquele que quiser salvar-se, antes de mais é preciso que professe a fé católica.

Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.

A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.

Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.

Porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.

Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.

Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.

Mas diante da verdade da Trindade, a nossa inteligência cala. Não importa o esforço que fizermos, jamais a poderemos entender. A nossa pequena inteligência, limitada, não é capaz de compreender a beleza da natureza infinita de Deus. Mas essa verdade que hoje não podemos entender, será a razão da nossa alegria e do nosso louvor no Céu. Lá estaremos tão admirados com a beleza desse Deus Uno e Trino, que a nossa reação será como repetir eternamente o hino de louvor que os anjos cantam no Céu, e que nós cantamos em todas as Missas: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor, Deus do universo!

Consequências práticas da fé trinitária

– A inabitação:

Mas esse mistério da Santíssima Trindade, que nós professamos através da virtude da fé, não é uma realidade distante. Esse Deus altíssimo ao qual adoramos não está longe de nós, e isso quem nos diz é Nosso Senhor Jesus Cristo: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (S. João XIV,23). Eis então a grande verdade: se estamos em estado de graça, nós somos verdadeiros Templos de Deus, e habita em nós o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Que bela verdade: o Deus altíssimo, criador do Céu e da Terra, faz sua morada, a sua casa, na alma do fiel em estado de graça. Por isso mesmo, a alma daquele que está com Deus é um pequeno Céu, causa da felicidade de Deus, da alegria dos santos e dos anjos, e razão de temor para os demônios.

Essa, inclusive, é a maior razão do ódio de Satanás contra a Igreja e os cristãos, pois ele não aceita que nós, simples criaturas, criadas a partir do barro, tenhamos a alegria de ser Filhos de Deus e herdeiros da glória do Céu, enquanto ele, que no princípio foi criado como anjo, seja hoje filho da ira e condenado ao Inferno por toda a eternidade. Por isso, a cada instante, o demônio nos tenta e nos quer fazer pecar, para que perdendo a graça santificante, sejamos, assim como ele, condenados ao Inferno.

– O exercício da presença de Deus:

Mas se a Santíssima Trindade vive na alma dos fiéis que estão em estado de graça, temos então algumas responsabilidades: primeiro, devemos evitar tudo aquilo que nos separa de Deus, isto é, o pecado. O pecado é o nosso grande inimigo, pois nos faz perder a amizade e a presença de Deus em nós.

E para conservar a graça, os santos sempre fizeram o piedoso exercício da presença de Deus. Façamos também nós! Nos nossos trabalhos, nos nossos sofrimentos, nas nossas alegrias e nas tentações, lembremos: eu sou Templo de Deus e a Santíssima Trindade habita em mim.

Peçamos, então, à Nossa Senhora, nossa santa Mãe, a graça de sermos fiéis ao Deus Uno e Trino que habita em nossas almas, para que sejamos verdadeiros Templos de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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Padre Júlio da Silva Soares

Sacerdote católico adscrito ao clero da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

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