Completa-se a obra da Redenção
Celebramos, no dia de hoje, a grande festa de Pentecostes, na qual nos alegramos com o envio do Espírito Santo, o Consolador, que veio do alto do Céu completar a obra da Redenção. Essa descida do Espírito Divino ocorreu no quinquagésimo dia após a Ressurreição de Nosso Senhor, daí a palavra “pentecostes”, que, no grego, significa “50 dias”.
Na Sua Ascensão, que nós celebramos na quinta-feira retrasada, o próprio Jesus avisou aos Apóstolos que enviaria o Espírito Consolador, e recomendou a eles que se preparassem através da oração e do recolhimento para o envio do Espírito Santo. Esse envio ocorreu nove dias após, onde nós vemos que foi o próprio Senhor quem instituiu a primeira novena da Igreja.
Quem é o Espírito Santo?
Mas, podemos nos perguntar, quem é o Espírito Santo? No Catecismo, aprendemos que o Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Com essa resposta, sabemos o essencial sobre o Espírito Divino, ou seja, que Ele é Deus, em unidade com o Pai e o Filho.
Mas, infelizmente, muito pouco se fala do Espírito Santo, de modo que para muitos fiéis Ele permanece como o “Deus desconhecido”. Para conhecermos, então, o Divino Espírito Santo, é necessário que vejamos como Ele age na nossa vida e na vida da Igreja.
A ação do Espírito Santo na economia da graça
Certamente, nós fomos salvos pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que derramou o seu sangue na Cruz para nos livrar do pecado e da morte. Mas esse Sangue Precioso que Jesus Cristo derramou, esse Sangue Divino que lava e purifica as nossas almas, só pode ser recebido através da graça do Espírito Santo.
Jesus pregou a santa doutrina católica, a única verdadeira e que conduz ao Céu, mas se nós cremos nessa doutrina, é pela graça da fé, que nos é dada pelo Espírito Santo. O Bom Jesus quis se fazer nosso irmão, fazendo-nos Filhos de Deus pelo sacramento do Batismo. Mas se o sacramento do Batismo faz com que sejamos filhos de Deus, é por graça do Espírito Santo. Na verdade, todos os sacramentos da Igreja, todas as bênçãos e graças que recebemos do dia do nosso Batismo até o momento de nossa morte, tem por autor o Divino Espírito Santo.
A Igreja: Reino do Espírito Santo

Por essa razão, caríssimos irmãos, podemos dizer que a Igreja nasceu no dia de Pentecostes e, por isso mesmo, ela é o Reino do Espírito Santo.
O próprio Jesus assegurou aos Apóstolos que “o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, irá ensinar-vos todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (S. Jo. XIV,28). E não é a missão da Igreja guardar e ensinar a santa doutrina que Nosso Senhor nos ensinou?
Só a partir de Pentecostes os Apóstolos iniciaram a pregação do Santo Evangelho, só a partir da vinda do Espírito Santo aconteceram as primeiras conversões, e só a partir da chegada do Espírito Divino os discípulos de Jesus iniciaram a batizar e instruir na fé os novos fiéis.
A ação do Espírito Santo em nós
Mas se o Espírito Santo age na Igreja para nos dar a graça santificante, ao permanecermos em estado de graça, o Divino agirá também em nós através dos seus sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Esses dons que nós recebemos no nosso Batismo e que foram fortalecidos na Confirmação operam em nós através das graças atuais que o Bom Deus nos envia para a nossa santificação.
Mas o que são as graças atuais? A “graça atual” é o auxílio sobrenatural pelo qual Deus, iluminando a nossa inteligência e ajudando a nossa vontade, nos move em direção ao nosso fim último, que é a glória do céu. Essas graças se manifestam em santas inspirações e pensamentos com os quais o Espírito Santo quer nos mover para praticarmos o bem. Em outras palavras, é a graça “passageira”, que vem e passa, e que, por isso mesmo, exige a nossa atenção e fidelidade.
A todo momento, o Espírito Santo fala aos nossos corações para nos sugerir que façamos atos de piedade, que elevemos o nosso pensamento até Deus por meio de uma oração, ou então que façamos uma obra de caridade para o bem dos nossos irmãos, ou então para que corrijamos ao nosso próximo que está no erro e no pecado. E esses sopros divinos que nos movem ao bem ocorrem independente do que estejamos fazendo, seja trabalhando, seja descansando. Deus fala a todo momento. E fala-nos, através do Seu Espírito, sobretudo, no momento em que fazemos a nossa Santa Comunhão.
E nós? Qual a nossa atitude diante do Deus que nos fala? Faço-me de surdo? Digo não a vontade do Senhor?
Deus tem em si uma imagem de cada um de nós e da perfeição a que quer que nós cheguemos. Com suas graças atuais, o Espírito Santo quer fazer com que esse plano divino de santidade para nós se realize. Daí a necessidade de sermos fiéis as graças atuais que o Senhor continuamente nos envia. A cada “sim” que dou a ação de Deus, mais perto fico do plano de Deus para mim, enquanto que a cada “não”, mais distante eu fico do projeto divino para a minha vida.
Peçamos, então, no dia de hoje, uma graça. Ao recebermos a Sagrada Comunhão, peçamos ao Bom Jesus a graça de sermos fiéis! A graça de sabermos dizer “sim” a Deus. O Senhor só quer a nossa salvação, que possamos também nós querer também fazer a Sua santa vontade e salvar as nossas almas. Peçamos a Santíssima Virgem, Esposa do Espírito Santo, e nossa querida mãe, a fidelidade às graças atuais que o Espírito Santo nos inspira a cada momento para a nossa santificação.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!









Deixe um comentário