Jesus Cristo, Nosso Senhor e Redentor

Jesus Cristo, Nosso Senhor e Redentor

“Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus”. Com essas palavras do Credo Niceno-Constantinopolitano, a Igreja afirma a sua fé na pessoa de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, salvador e redentor de toda a humanidade.

Mas por que diz a Igreja que Jesus é o nosso salvador? Pois Ele nos salvou dos efeitos do pecado e da morte, mereceu para nós a vida sobrenatural da graça santificante, que nos é comunicada por meio dos sacramentos, e fez-nos, como Ele, filhos de Deus.

A promessa do Redentor

Desde a queda dos nossos primeiros pais, no Paraíso, Deus prometeu ao gênero humano um salvador, quando disse à serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15).

Também o profeta Isaías, iluminado pelo Espírito Santo, profetizou como seria o nascimento do Redentor: “uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conosco’” (Is 7,14). O profeta Miquéias, ainda com mais precisão, previu onde nasceria o Salvador: “Mas tu, Belém de Éfrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel” (Mq 5,1).

Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Antes mesmo que todas as coisas fossem criadas, Nosso Senhor, o Verbo divino, já existia. “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1,3). Habitando junto do Pai e do Espírito Santo na glória da Trindade, o Filho, “por nós, homens, e para a nossa salvação” encarnou-se no seio Maria.

Mas quem é Jesus? Jesus Cristo é a 2a pessoa da Santíssima Trindade, ou seja, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, é verdadeiramente Deus e Senhor. Pelo mistério da “encarnação do Verbo” cremos que Jesus, para nos salvar do pecado e da morte e restaurar tudo aquilo que o pecado corrompeu, assumiu a natureza humana como verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

O nascimento de Jesus

Todas essas promessas se cumpriram na pessoa de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus feito homem, nascido em Belém de Judá, filho da Virgem Maria.

Nove meses após o anúncio do Anjo Gabriel à Maria (Lc 1,26-38), em um humilde presépio de Belém, no tempo do Imperador César Augusto, sendo Herodes rei da Judeia, nasceu o Redentor do mundo. É este o belo mistério do nascimento do Verbo encarnado, Nosso Senhor, que celebramos anualmente na festividade do Natal.

A “vida oculta” de Jesus

Muito pouco se sabe sobre o período da “vida oculta” de Jesus, senão aquilo que nos é anunciado pelo Evangelho de São Lucas. Este período corresponde aos primeiros 30 anos da vida do Senhor, e abarcam, portanto, sua infância, adolescência e a primeira parte de sua vida adulta.

Quanto a infância, sabemos por Lucas que logo após o nascimento do Senhor, Maria e José conduzem-no ao Templo, onde o velho Simeão e a profetisa Ana o reconhecem como o Salvador de Israel cit. Pouco depois, José, advertido pelo anjo, foge com o Menino e sua Mãe para o Egito, onde aguardam momento favorável para regressar a Israel. De volta a Israel, residem na cidade de Nazaré, onde até os 30 anos, juntamente com São José, Jesus exerceu o ofício de carpinteiro.

A vida pública de Jesus

Após receber o batismo de João Batista, Jesus seguiu para o deserto, onde jejuou e orou por 40 dias. A partir de então, o Senhor iniciou o seu ministério de pregação e ensino. Falava de modo simples, através de parábolas, onde exemplificava o conteúdo da sua doutrina. Sua mensagem era clara e constante: “Cumpriu-se o tempo, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Sua doutrina, diferente da de todos os mestres e doutores, era pregada com autoridade, e provada pelos seus inúmeros milagres de cura e ressurreição.

Entretanto, além da doutrina que pregou e dos milagres que operou, Jesus coroou o seu ministério com sua Paixão, Morte e Ressurreição, onde venceu o pecado e a morte, e cujos efeitos de graça e de salvação tornou presente até os nossos dias por meio da Igreja que Ele fundou, e dos sacramentos que a vivificam.

A “plenitude dos tempos”

No Antigo Testamento, Deus falou por meio dos profetas, porém, “na plenitude dos tempos, falou-nos por meio do seu Filho” (Hb 1,2). Entretanto, se no AT o povo temia ver a Deus e se dirigia a Ele, o “Senhor dos Exércitos”, com temor e reverencia, Jesus ensinou-nos que Deus é Pai. Assim, toda a vida de Jesus deve ser considerada como a plenitude da Revelação do Pai. O Filho dá o Pai a conhecer: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,10).

Jesus também é o anunciador da Boa-Nova (Evanghelion, em grego). Verdadeiramente, o Evangelho de Jesus é o anúncio do Reino de Deus que se realiza em cada um que o ama e guarda os seus mandamentos (Jo 14,15). E quais são os mandamentos de Jesus? “Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo” (Mc 12, 30-31). Essa é a virtude da caridade: amor ao próximo por amor de Deus.

É a prática da caridade que nos abre o Reino de Deus, pregado por Jesus. O Reino de Deus está próximo! O Reino de Deus está em nós.

O autor da graça

Realmente, a mensagem de Jesus, durante todo o seu ministério de salvação, abordou a proximidade do Reino de Deus. Contudo, o próprio Jesus revelou que esse Reino está em nós, que no seu nome fomos batizados e nascemos, com Ele, para uma nova vida. Mas como o Reino de Deus se realiza em nós? Esse reino de Jesus em nós, essa nova vida da qual Ele nos fala é a graça santificante.

E o que é a graça santificante? A graça santificante é um hábito sobrenatural infuso por Deus na alma do homem, que o habilita a tornar-se partícipe da vida divina. É um hábito sobrenatural e infuso, pois é o próprio Deus quem nos comunica a graça, diferentemente dos hábitos que nós adquirimos com o próprio esforço. Por essa razão, a graça santificante é também chamada de graça habitual. Além do mais, ela nos habilita a participarmos da vida do próprio Deus e, mediante a prática das boas obras, merecermos o Céu. A graça, portanto, já nesta vida é o Reino de Deus começado em nós. Contudo, esse Reino só chegará à plenitude no Céu, de tal modo que se pode dizer, também, que a graça é a vida eterna começada em nós.

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Padre Júlio da Silva Soares

Sacerdote católico adscrito ao clero da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

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