O domingo da confiança
Estamos hoje no IV Domingo do Tempo depois de Pentecostes, e meditamos, durante todo este tempo, sobre os ensinamentos que Nosso Senhor deixou aos seus Apóstolos durante a sua vida pública.
Verdadeiramente, as palavras de Jesus não pararam no tempo, não foram dirigidas unicamente aos seus discípulos, que estavam com Ele naquele momento, mas foram direcionadas a cada um de nós. Contemplemos, então, esse grande milagre: a doutrina pregada pela nossa santa Religião, que nos foi confiada por Nosso Senhor há mais de dois mil anos, tem edificado e santificado um imenso número de almas. Não será assim também comigo? Colocarei eu empecilho, obstáculo, à ação de Deus em minha alma?
Escutemos, portanto, os ensinamentos de Nosso Senhor e os coloquemos em prática…
Nosso Senhor e a barca de Pedro
Hoje, particularmente, o Santo Evangelho nos relata uma passagem da vida de Nosso Senhor que tem muito a dizer a cada um de nós:
“Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a Palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago –, pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes –, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo” (Lc. V, 1-3).

O Bom Jesus, em seu ministério de salvação, veio para nos ensinar o segredo da santidade e o caminho do Céu. Mas como Ele fez e faz isso até os dias de hoje? Através da Santa Igreja. O evangelista São Lucas nos diz que Nosso Senhor poderia ter escolhido outras barcas que ali estavam, mas qual foi o barco que o Senhor escolheu? A barca de Simão Pedro!
A missão da Igreja
E foi justamente através da barca de Pedro, que Nosso Senhor escolheu ensinar a sagrada doutrina católica àquela multidão, e ainda hoje é através da Santa Igreja Católica que o Bom Jesus nos ensina as verdades de fé que nos conduzirão ao Céu, por meio da graça santificante, que nos é comunicada através dos Sacramentos.
Muitas outras seitas que se dizem “igrejas” ensinam também caminhos para o Céu, mas são simples barcos furados, que por sua falta de solidez, não foram escolhidos por Jesus.
Voltando ao Evangelho, vemos que tamanha era a multidão, que para ensinar a todos e ser bem escutado, Nosso Senhor ordenou a Pedro que afastasse a barca da terra. Isso, para nós, é uma analogia que devemos aplicar às nossas vidas. A Igreja de Cristo vive “afastada da terra”, com os olhos voltados unicamente para Deus e, portanto, afastada do mundo. Assim também nós, se quisermos ouvir e viver dos ensinamentos de Jesus, temos de nos afastar da terra e do espírito do mundo para salvarmos as nossas almas.
O espírito do mundo
E eis aí para nós o maior dos perigos: o mundanismo. Essa doença espiritual afeta, infelizmente, um grande número de “católicos”, e ela é extremamente perigosa, podendo levar a morte eterna. Mas em que consiste essa terrível enfermidade?
- Apego aos prazeres. Diz-nos o mundo constantemente que vivamos segundo os prazeres da carne, deixando de lado a virtude e se entregando à gula, à sensualidade e ao desregramento total. Para que impor limites aos prazeres da vida? Busquemos a felicidade aqui e agora, sem limites, dizendo como o povo de Corinto: “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (ICor. XV, 32).
- Apego ao dinheiro. Diz-nos o mundo que busquemos avidamente o dinheiro e as riquezas da terra. Com o dinheiro, teremos tudo o que quisermos. Seremos poderosos, teremos as melhores casas, carros e posses: nada nos faltará!
- Desprezo da fé. E, por fim, nos dirá o mundo que abandonemos a fé. Como sempre, virá com as suas perguntas: Para que ir à missa todos os domingos e dias santos? Estamos perdendo o nosso descanso. Rezar? Qual a razão disso? Deus não se ocupa de nós.
Para responder essa pergunta, lembremos das palavras do próprio Jesus: “Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?”. Nem o prazer ou o prazer ou uma vida relaxada e distante da Religião podem preencher verdadeiramente o homem. Não fomos criados para nada disso, mas, sim, para conhecer, amar e servir a Deus, e mediante isso, salvar as nossas almas.
O perigo do excesso de confiança em si mesmo
Outro fato que o Evangelho nos dá a conhecer, é o da importância de vivermos unidos sempre a Jesus, e de tudo fazer com Ele, por Ele e para Ele. Eis o fato:
“Quando acabou de falar, disse a Simão: ‘Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar’. Simão respondeu-lhe: ‘Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas, por causa de tua palavra, lançarei a rede’. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia” (Lc. I, 4-6).
São Pedro e os demais discípulos haviam passado a noite inteira trabalhando, tentando pescar, mas nada apanharam. Veio então Jesus, que ordenou a eles que fossem às águas mais profundas, que navegassem mar adentro, e então, milagre: apanharam tantos peixes que a rede quase se rompia.
Eis a grande lição: por nós mesmos, nada podemos, mas com a ajuda de Deus tudo é possível. Assim, não será por nós mesmos que conseguiremos a união das nossas famílias, não será por nós mesmos que alcançaremos o sucesso e o pleno desenvolvimento profissional, nem mesmo podemos pensar que sozinhos poderemos vencer as tentações e as dificuldades que sempre aparecem no decorrer de nossas vidas.
Temos essa constante e falsa de tentação de achar que tudo conseguiremos por nós mesmos, através do nosso esforço, como se o sucesso das nossas empreitadas só dependesse de nós mesmos. Nada mais mentiroso e falso. Isso é o próprio Jesus quem nos ensina: “SEM MIM, NADA PODEIS FAZER” (Jo. XV, 5).
Jesus fala conosco
Enquanto Pedro confiou nos seus talentos, na sua experiência, nada conseguiu, mas ao ouvir Jesus e confiar em sua palavra, o milagre aconteceu. Confiemos também nós em Nosso Senhor e obedeçamos às suas palavras. Ele nos pede, no dia de hoje, que naveguemos mar adentro, ou seja, para que saiamos da nossa zona de conforto e vivamos uma vida cristã séria e coerente.
Abandonemos, portanto, a frouxidão que nos faz fracos no cumprir a Lei de Deus, observemos seriamente os mandamentos, que revelam para nós a vontade de Nosso Senhor, deixemos de lado o respeito humano, que nos faz católicos tíbios e envergonhados, e testemunhemos a profundidade da nossa fé com o exemplo da nossa vida.









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