A severa reprimenda de Jesus
“Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (São Mateus V, 20).
As palavras que acabamos de ouvir, ditas por Nosso Senhor Jesus Cristo, podem parecer demasiado fortes e duras, mas são necessárias para nos mover à conversão e ao arrependimento, e sobretudo, para nos advertir de um grande pecado que ameaça o mundo moderno.
O Bom Jesus, no seu imenso amor por nós, desceu dos Céus, se fez homem, nos ensinou a doutrina da salvação, e nos deu o mandamento máximo da caridade, que é amor a Deus e ao próximo. Entretanto, durante todo o tempo do seu ministério, Nosso Senhor foi perseguido pelo partido os fariseus, que eram grupo de pessoas falsamente religiosas, que viviam na mais pura hipocrisia.
A justiça dos fariseus
Portanto, no dia de hoje, Nosso Senhor quer nos colocar em guarda contra o pecado do farisaísmo, que é a mais terrível distorção da verdadeira Religião. Mas é justo que nós perguntemos: quem eram os fariseus e como viviam, para que Jesus os condene com tanta severidade?
Os fariseus eram pessoas que se apresentavam como piedosas e religiosas, homens que se julgavam cumpridores da Lei de Deus e conhecedores das Sagradas Escrituras. E apesar de tanto conhecimento, Nosso Senhor, que lia no segredo dos corações, bem sabia que a sua fé não era sincera: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais por fora o copo e o prato e por dentro estais cheios de roubo e de intemperança. Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo” (S. Mateus XXIII, 25-26).
Cumprimento exterior e interior da Lei
Mas o que quer dizer Nosso Senhor com isso? Está dizendo que cumprir Lei é uma espécie de hipocrisia? Muito pelo contrário.
Olhemos o que faziam os fariseus: cumpriam minuciosamente a Lei, mas pelo simples fato de que era mandada por Deus. Não a faziam por amor, mas buscavam cumprir o preceito somente de modo exterior, de modo que pudessem ser vistos pelos homens e apreciados em seu legalismo.
Essa não deve ser a postura do fiel cristão. Não devemos cumprir os Mandamentos da Lei de Deus e da Santa Igreja de modo unicamente exterior, para sermos vistos e apreciados como pessoas piedosas. O que o Bom Deus quer der nós é que vivamos INTERIORMENTE os Seus Mandamentos.
Recordemos, então, e examinemos a nossa consciência ao menos quanto aos preceitos da Santa Igreja: como temos sido na observância destas santas leis?
- Ouvir Missa inteira aos domingos e festas de guarda.
- Confessar-se ao menos uma vez cada ano.
- Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição.
- Jejuar e abster-se de carne, quando manda a Santa Madre Igreja.
- Pagar dízimo, segundo o costume.
E mais: devemos AMAR a Lei de Deus, que nos abre as portas do Céu. Olhemos o Salmo 118, rezado e meditado por todos os sacerdotes, aos domingos, na recitação do Breviário: “Na observância de vossas ordens eu me alegro, muito mais do que em todas as riquezas. Sobre os vossos preceitos meditarei, e considerarei vossos caminhos. Hei de deleitar-me em vossas leis; jamais esquecerei vossas palavras. Concedei a vosso servo esta graça: que eu viva guardando vossas palavras” (v. 14-17).

O orgulho farisaico
Portanto, podemos resumir a justiça dos fariseus em uma só palavra: orgulho. A justiça farisaica era fundada na soberba, no amor-próprio, no orgulho de se dizerem pessoas religiosas, mas que na verdade viviam na hipocrisia da obstinação.
Mas Nosso Senhor quer que a nossa justiça seja, então, o oposto da dos fariseus. E justiça pregada por Nosso Senhor se resume, também, em uma palavra: humildade. E o melhor modo de nós cristãos manifestarmos a nossa humildade, a nossa justiça, é através da caridade fraterna para com os nossos irmãos como Nosso Senhor nos pede na Liturgia de hoje.
A caridade fraterna
Mas o que é a caridade fraterna? A caridade fraterna é uma virtude sobrenatural que nos faz amar o próximo por um motivo divino. Mediante esse ato de caridade, devemos amar a todos aqueles que Nosso Senhor fez nossos irmãos na prática da mesma fé e da vida da graça. Somos todos filhos do mesmo Deus e Senhor, e herdeiros da mesma glória e felicidade no Céu.
Mas esse mandamento se estende também aos não católicos, pois que embora eles não sejam nossos irmãos na fé, é da vontade de Deus que eles se convertam e se salvem, daí a necessidade de nós manifestarmos a eles a nossa caridade, o nosso amor, de modo que, como disse Jesus, “brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (São Mateus V, 16).
O dever de evitar o ódio
Para fazermos, então, a vontade de Deus, Nosso Senhor nos dá alguns conselhos práticos, que devemos empregar no nosso quotidiano: “todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: imbecil, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena” (São Mateus V, 22).
Devemos evitar a ira, as intrigas, as ofensas ao Nosso próximo, o ódio! Se somos cristãos, devemos viver a mesma vida de Jesus Cristo, imitando-O em todas as suas virtudes, e a maior das virtudes que o Bom Jesus nos ensinou é a da Caridade, do amor a Deus e ao próximo.
Santa Catarina de Gênova disse uma vez ao Senhor: “Ó meu Deus, Vós me mandais amar a meu próximo, e eu não posso amar senão a Vós”. Ao que lhe respondeu o Senhor: “Minha filha, quem me ama, ama também tudo que eu amo. De fato, quando se ama uma pessoa ama-se também seus parentes, seu retrato e até suas vestes, e por quê? Porque são estimadas pela pessoa amada”. Quem não ama a Deus, não ama o próximo, e quem não ama o próximo, não ama a Deus.
O dever do perdão e da reconciliação
Por fim, Nosso Senhor nos impõe um último dever: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta” (São Mateus V, 23-24).
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!









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