Homilia do VII Domingo depois de Pentecostes

Homilia do VII Domingo depois de Pentecostes

O domingo da “advertência”

Chegamos hoje ao sétimo domingo do tempo Depois de Pentecostes, um domingo que poderíamos chamar de “domingo da advertência”, pois que Nosso Senhor, hoje, nos quer advertir, avisar, do perigo dos falsos profetas, que só tem por fim nos desviar do seguimento do Evangelho, e nos conduzir ao caminho da perdição.

Diz claramente Nosso Senhor: “acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós sob peles de ovelhas, e por dentro, no entanto, são lobos vorazes”. Justamente, os falsos profetas, contra os quais o Bom Jesus nos fala no dia de hoje, apresentam-se como ovelhas, aparentam ser pessoas boas e piedosas, falam de modo agradável, doce, suave, parecem querer o nosso bem, mas, na verdade, estão cheios de orgulho e mentira, de modo que podem ser verdadeiramente descritos como “lobos em pele de ovelha”.

Como distinguir os falsos profetas?

Por isso, é justo que nós nos perguntemos: como saber quem são os falsos profetas? Se alguém nos quer ensinar uma doutrina diferente daquela que nos ensinou Nosso Senhor e que nós aprendemos no Catecismo, esse é um falso profeta. Olhemos então para a nossa própria realidade, e veremos que muitos são os falsos profetas que nos rodeiam, muitos deles conhecidos e talvez amigos nossos, mas tenhamos cuidado.

Atualmente, são três os grupos de falsos profetas que podemos reconhecer facilmente:

Os protestantes

Primeiramente, o grupo mais numeroso e que pode ser mais facilmente encontrado é o dos protestantes, que se dizem “evangélicos”. Andam com a Bíblia na mão, vestem-se com uma certa modéstia, defendem alguns bons costumes etc. Certamente, a maioria dos fiéis protestantes podem ser pessoas boas, que por ignorância ou simplicidade acabaram abraçando o erro, e estão de boa-fé nessas seitas.

Entretanto, o Protestantismo é uma seita fundada no orgulho e na desconfiança. No orgulho, pois recusam se submeter aos legítimos sucessores do Apóstolos, que os são os Bispos da Santa Igreja Católica, aos quais Nosso Senhor confiou a guarda e a instrução do rebanho. E também estão fundados na desconfiança e na falta de fé, pois desprezam as palavras de Jesus que disse estaria com a Sua Igreja todos os dias até o fim dos tempos. E assentados nesses princípios, rejeitaram o sacerdócio e a Santa Missa, de modo a viver uma vida inteira sem receber Jesus sacramentado. Desprezam também a Confissão, pois creem que não precisam confessar os seus pecados, pois que “já estão salvos”. Rezemos, então, pela conversão dos protestantes e tenhamos cuidado com as suas falsas doutrinas.

As falsas religiões

Mas não são só os protestantes que põe em risco a fé do nosso povo, mas também as inúmeras falsas religiões que são inventadas a cada dia. No Brasil tem crescido consideravelmente o espiritismo, o candomblé, o budismo, e tantas outras crenças que afirmam ter uma solução fácil para todos os nossos problemas.

Devemos, então, lembrar de Nosso Senhor, que nos abriu as portas do Céu, após uma via dolorosa rumo ao Calvário e a Cruz. Só Ele, o Bom Jesus, é o nosso único Pastor, que nos livra do pecado e da morte, e nos conduz à vida eterna.

O interconfessionalismo ou a indiferença religiosa

Mas a grande mentira do nosso tempo presente é apregoada por falsos profetas SEM RELIGIÃO. Para a grande maioria do povo, todas as religiões são boas, pois Deus é um só, e o que importa é “amor”. Pode-se, então, ir à missa ao domingo, ao culto na segunda, ao terreiro na terça, contanto que não se faça mal a ninguém, podemos fazer qualquer coisa.

E ai daqueles que são convictos da sua fé, pois são taxados de fanáticos. Não nos deixemos enganar, esse povo invoca “Senhor, Senhor”, mas Jesus não os conhece, e nem eles a Jesus. Lobos em pele de cordeiro, só querem nos afastar da verdadeira Religião. Fiquemos firmes no Senhor e não percamos o foco do único objetivo real das nossas vidas, que é salvação das nossas almas.

Servir a Jesus em espírito e em verdade

Mas, para nos salvarmos, é necessário que escutemos as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. Devemos, portanto, servir a Nosso Senhor em espírito e em verdade, e fazer tudo para a sua maior honra e glória.

E o melhor modo de nós fazermos a vontade de Deus é muito simples, e está no alcance de todos nós: obedecer aos mandamentos, fazer as nossas orações, nos confessarmos com frequência, assistir sempre que possível a Santa Missa, comungar bem. Isso é servir a Deus!

Mas essas coisas santas e boas que fizermos devem estar sempre movidas por uma intenção pura de o fazer por amor de Deus, e não por orgulho ou por vaidade. Tudo o que fizermos por amor de Deus é abençoado e multiplicado diante de Nosso Senhor, enquanto que tudo o que fazemos por orgulho é sem valor aos olhos de Deus.

A obrigação do apostolado

Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Pelos seus frutos os conhecereis”.  Aqui, por fim, Nosso Senhor nos recorda que se alguém ama a Deus verdadeiramente, tem obrigação de fazer boas obras de apostolado para dar bons frutos de salvação.

Se a nossa fé é a verdadeira, se eu tenho a graça de ser católico, eu não posso fazer como na parábola do Evangelho do empregado que enterrou o dinheiro do patrão ao invés de lucrar com os juros. A graça que recebemos é para ser multiplicada em boas obras! Assim como os falsos profetas não perdem tempo em fazer discípulos, também nós devemos nos esforçar por trazer a Jesus o maior número de almas possível.

Portanto, caríssimos irmãos, finalizemos pedindo a Nossa Senhora, Mãe da Igreja e auxílio dos cristãos, a graça de não somente fugirmos dos falsos profetas, mas a graça de sabermos lutar contra eles, conquistando almas para o Senhor através do apostolado e das boas obras.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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Padre Júlio da Silva Soares

Sacerdote católico adscrito ao clero da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

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