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O pecado da impureza

O pecado da impureza

O mundo atual e a impureza

O Apóstolo São Paulo, em 1Cor 10, 6-13, faz-nos uma grave advertência ao recomendar que nos afastemos dos maus desejos e, sobretudo, da impureza. Nenhum pecado, atualmente, tem afastado tantas almas da graça de Deus quanto esse pecado. E isso por uma razão muito simples, como veremos. Lembremos das palavras de Jesus: “Sede santos como o vosso Pai que está nos Céus é santo”. Mas como é Deus, para que nós o imitemos? Diz-nos o Catecismo Menor de São Pio X: “Deus é um espírito PURO e PERFEITÍSSIMO”. Portanto a santidade cristã consiste na imitação dessa pureza divina.

Por essa razão, a pureza nos faz semelhantes a Deus e aos seus santos anjos, que também são puros! Pelo contrário, a impureza nos faz PIORES que os demônios, pois eles, como são criaturas espirituais, sequer podem cair no pecado impuro, para o qual nos querem arrastar…

Infelizmente, para a nossa tristeza, vemos que a nossa época está afundada na mais absoluta imoralidade. Basta que andemos pelas ruas e já vemos, mesmo sem querer, cenas das mais absurdas, vestuários dos mais imodestos que, em outros tempos, nem em praias seriam tolerados. Até mesmo as músicas escancaram a imoralidade do tempo presente.

Assim sendo, o mundo atual nos obriga a que sejamos vigilantes para que não caiamos nesse pecado tão generalizado.

Pecados mais comuns

Nesse ambiente de impureza generalizada, infelizmente, percebe-se que alguns pecados, hoje em dia, são considerados comuns e toleráveis, dentre os quais citamos nomeadamente a fornicação, a pornografia (e aqui entram também as novelas, séries e filmes com cenas imorais), o onanismo e tantas outras práticas das mais condenáveis.

Com efeito, tais pecados contra o sexto Mandamento da Lei de Deus são todos graves, isto é, mortais. E o que faz o pecado mortal com as nossas almas? Nos faz perder o estado de graça, ou seja, a amizade com Deus e a Sua inabitação em nossas almas. A alma de um filho do Altíssimo declara-se em inimizade com o Seu Criador e Redentor. A herança (a bem-aventurança eterna) é perdida enquanto não se recobrar o perdão divino, e, por fim, o cristão se submete a terrível escravidão do pecado. Que será dessa pobre alma se for chamada pelo Senhor repentinamente?

As consequências da impureza na vida física e na espiritual

Muitas são as consequências da impureza, seja na ordem física, seja na ordem espiritual. Para dar a conhecer o resultado de tais desordens, citamos aqui o Frei Pedro Sinzig:

“São extremamente tristes as consequências da impureza, porque ela é como o fogo abrasador que tudo destrói. Se não é belo o que está manchado, o que será então quem é desonesto?

  • A saúde corporal, geralmente, é prejudicada, a vida abreviada, a fisionomia alterada;
  • a memória, a inteligência e a vontade enfraquecidas, o caráter corrompido e debilitado;
  • e então, o vício, dia por dia, torna-se mais dominador, levando a abismos e precipícios nunca sonhados.

Que consequências!

Mais tristes ainda são as consequências da impureza para a alma:

  • Esta, em breve, sente nojo da virtude, julga insípida e aborrecida a oração e foge dos sacramentos, das práticas e das boas leituras;
  • enfraquece-se a fé, surgem dúvidas; a religião torna-se incômoda porque prescreve pureza e ameaça castigos sem fim para o devasso.;
  • A alma fica cada vez mais cega, o coração mais endurecido; as graças são desprezadas; sobe a maré até arrastar tudo em suas ondas.

Quantos, neste estado, são surpreendidos por morte repentina! E a tua sorte?!…

Recomenda-te frequentemente a Maria, e tem sempre Deus diante de teus olhos, para não caíres, ou, ao menos, para te levantares mais cedo, e ficares mais energicamente de pé” (Meditações Diárias).

Mas qual a razão de tantas pessoas caírem nesses pecados? Segundo Santo Afonso Maria de Ligório, o grande fator que leva as almas ao pecado é a OCASIÃO ou SITUAÇÃO na qual se colocam. De fato, assim como a ocasião faz o ladrão, faz também o pecador. E quais as ocasiões de pecado impuro?

  • OCIOSIDADE: Isto é, a perda de tempo ou a falta do que fazer. Em outras palavras, a preguiça. Vem aqui a nossa mente o velho ditado: “mente vazia, oficina do diabo”. Vindo a tentação, vendo o demônio que o cristão nada faz para combatê-lo, domina-o com muita facilidade…
  • SOLIDÃO: longe de tudo e de todos, o fiel cristão, sem ninguém a supervisionar os seus atos, encontra-se em uma situação de vulnerabilidade. Eis que também aí a tentação fala mais alto…
  • INTERNET: e não contente o inimigo de tentar constantemente o fiel, quis ele se fazer AINDA MAIS PRÓXIMO, por meio da internet e do celular. Certamente, não se pode negar a utilidade dessas ferramentas, hoje extremamente necessárias. Mas, todavia, não se deve negar, igualmente, que facilitam enormemente o vício impuro…

Remédios para essa doença espiritual

Para vencer este vício, Santo Antônio Maria Claret nos oferece alguns ensinamentos valiosos, que serão para nós excelentes remédios contra esse vício:

1. De manhã e à noite pede a Mãe da Pureza, a santíssima Virgem, esta preciosa joia, saudando-a para esse fim com 3 Ave Marias.

2. Logo que tiveres algum pensamento impuro, despreza-o imediatamente e dize a Maria: Virgem Santíssima, valei-me, assisti-me.

3. Aparta-te das más companhias, de festas mundanas e galanteios; nem pelas capas hás de tocar em livros ou papéis desonestos, não olhes para pinturas, estampas ou outros objetos provocativos, e; sobretudo, guarda-te de fazer acenos ou ações escandalosas.

4. Veste com modéstia, come e bebe com temperança, não profiras palavras indecentes; não escutes nem acompanhes más conversas, e não dês liberdade a teus olhos.

5. Lembra-te que DEUS te vê, e que tem poder para tirar-te a vida aqui mesmo e lançar-te aos infernos, como aconteceu; entre outros a Onão, que morreu no ATO de cometer um pecado desonesto e SE CONDENOU.

6. Frequentar os Santos Sacramentos.

A reversão do cenário atual

Efetivamente, para se evitar o pecado impuro basta que se sigam os excelentes conselhos dos santos, que basicamente se resumem em uma única palavra: vigilância. Sabemos que o demônio está constantemente à espreita, rondando e “procurando a quem devorar” (1Pe 5,8), de tal sorte que, se o quisermos vencer, precisaremos estar atentos ao seu modo de agir, bem como as diversas ocasiões com as quais ele nos quer conduzir ao pecado. Essa vigilância poderemos manter por meio da oração e das obras de penitência, com as quais o Bom Deus nos fortifica.

Todavia, mais que viver a castidade, muitas vezes aceita como um fardo penoso e quase que insustentável, é necessária amá-la. Nenhuma virtude conseguirá aquele que não a deseja. Busquemos, portanto, amar a casta e nobre vida que Nosso Senhor nos ensinou a viver para que, seguindo os Seus passos, o próprio Deus nos fortifique e torne inabaláveis em sua divina graça (1Pe 5,10).

Peçamos, então, que a Santíssima Virgem, nossa Mãe e Rainha, rogue por nós, pobres pecadores, ao Bom Deus, para que possamos seguir o seu exemplo de pureza e santidade todos os dias de nossa vida. Nas nossas dificuldades, rezemos sempre a Ela, que jamais desampara a qualquer um dos seus filhos, e digamos com muita piedade e devoção:

Oh Virgem Santíssima, vós não permitais,
que eu viva e nem morra em pecado mortal.
Em pecado mortal não hei de morrer
porque a Virgem Santíssima me há de valer.

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Padre Júlio da Silva Soares

Sacerdote católico adscrito ao clero da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

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