As origens católicas do Brasil

As origens católicas do Brasil

Todo bom brasileiro, no dia 7 de setembro, sente naturalmente um orgulho patriótico e realmente legítimo: somos brasileiros! Nossa pátria possui riquezas naturais incomparáveis, belíssimas paisagens, uma cultura riquíssima e diversificada, um povo numeroso e trabalhador, cujo calor humano e bom-humor é internacionalmente apreciado.

A vastidão do nosso território é imensa: 8.515.767,049 quilômetros quadrados, sendo, assim, o quinto maior país do mundo. Em um território tão vasto, no qual se desenvolve tranquilamente a agricultura e a pecuária, o nosso país é responsável por alimentar 900 milhões de pessoas no mundo.

Situação da Igreja no Brasil

Contudo, embora todas essas razões possam encher o coração do brasileiro de um genuíno orgulho, a maior honra que temos é a de ser o país mais católico em número de fiéis em todo o mundo. Segundo o “Anuário Pontifício”, o Brasil conta com mais de 170 milhões de batizados, dentre os quais, segundo o IBGE, 100 milhões atualmente ainda se declaram católicos, totalizado 56% da população. Esses números, porém, são de causar espanto. Como chegamos a um número tão reduzido?

Assistimos, com pesar, uma apostasia silenciosa, na qual o Brasil tem se esquecido de suas raízes católicas – eis a raiz do problema.

O Descobrimento e o nascimento católico do Brasil

Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, Oscar Pereira da Silva (1900).

Para remediar esse cenário, animemo-nos recordando como a fé católica faz parte da nossa identidade nacional. Lembremos alguns dados que reiteram a nossa afirmação, com a leitura da carta de Pero Vaz de Caminha e alguns outros dados sobre a história de nossa nação.

Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome — o Monte Pascoal e à terra — a Terra da Vera Cruz.”

Eis o primeiro nome de nossa pátria “Terra de Vera Cruz”. Os descobridores não quiseram a proteção de nenhum outro símbolo, senão o da Cruz de Nosso Senhor, sinal e penhor de nossa salvação.

A devoção mariana

Mas a fé no Bom Jesus, conseguintemente, trouxe à pátria uma devoção igualmente importante: o amor à Nossa Senhora. Não se pode amar a Jesus ignorando aquela que foi a sua Mãe Santíssima. Vejamos o relato dos descobridores:

Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo.”

Nesse amor natural dos nativos para com as belas contas do Santíssimo Rosário vemos prefigurada o mais belo amor nacional, isto é, a devoção à Nossa Senhora! Essa mesma Senhora venerada pelo povo se dignou a aparecer nas águas do Rio Paraíba, em 1717, para confirmar o amor que Ela, igualmente, consagra ao povo brasileiro.

A Santa Missa e o amor à Cruz

Tendo chegado ao Brasil, após longa viagem, muitas, certamente, eram as preocupações de Cabral: investigar a terra, conhecer os nativos, explorar possíveis riquezas e etc. Contudo, nenhuma dessas questões perturbou o nobre homem nesse primeiro momento, pois um só era o seu desejo: assistir o Santo Sacrifício da Missa. Eis o que nos informa Pero Vaz de Caminha:

Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu […] E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção. […] Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção.”

Mas não é bom devoto da Sagrada Eucaristia aquele que despreza a Cruz de Cristo. Nosso Senhor nos salvou por meio de Sua Santíssima Paixão e Morte na Cruz, de tal sorte que esse símbolo, outrora de condenação, tornou-se penhor da nossa salvação e digno de toda a honra, como demonstraram os portugueses:

Quando saímos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos direitos à Cruz, que estava encostada a uma árvore, junto com o rio, para se erguer amanhã, que é sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. A esses dez ou doze que aí estavam, acenaram-lhe que fizessem assim, e foram logo todos beijá-la.”

A missão evangelizadora

De tudo o que vimos, cabe perguntar: os portugueses vieram para cá somente com o desejo de explorar as nossas terrar e “roubar” as nossas riquezas, como dizem os esquerdistas? Vejamos o que diz o próprio Pero Vaz:

Porém, o melhor fruto que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar”.

Esse nobre intuito evangelizador dos colonizadores deve ser também o nosso. Presenciamos, atualmente, um cenário desolador de apostasia generalizada em todo o Brasil. Todavia, esse panorama não pode ser, para nós, ocasião de desânimo, mas, pelo contrário, deve servir de ensejo para que façamos apostolado com maior ardor.

Não cabe, portanto, ao fiel católico qualquer sentimento de derrotismo ou tristeza. Somos, pois, chamados ao combate pela defesa da fé e pela sua propagação, o que conseguiremos por meio do apostolado e do genuíno desejo de atrair as almas para Nosso Senhor, cumprindo assim o seu mandato de “ide e ensinai todos os povos e nações” – eis o nosso dever!

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Padre Júlio da Silva Soares

Sacerdote católico adscrito ao clero da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

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