“Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (São Lucas I, 32-33).
Alegria e motivo da Festa de Cristo Rei
As palavras ditas à Nossa Senhora no momento da Anunciação já deixaram bem claro quem seria Aquele que havia de nascer: um Rei. Por essa razão, no começo do ano, na Festa da Epifania do Senhor, adoramos o Menino Jesus junto dos reis magos, reconhecendo naquela simples criancinha do presépio como o verdadeiro Salvador da humanidade, que havia de nos libertar da escravidão do pecado e da morte, instaurando assim o Reino de Deus.
Hoje, uma vez mais, recordamos essa sublime verdade: Jesus Cristo é Rei e Senhor de todo o universo. Todos os povos e nações, todas as pessoas e Estados devem reconhecer que aquele que nos salvou mediante a Cruz é verdadeiramente REI. Que alegria a nossa de termos um Rei tão bom e piedoso, que nos ama a ponto de sofrer e morrer por nós, dando-nos a Sua própria vida em testemunho do seu grande amor.
A realeza de Cristo e o desprezo do povo
Em diversos momentos do Evangelho, vemos que a multidão fiel, encantadas com os milagres e a sabedoria de Jesus, queria fazê-Lo rei de Israel, mas o Senhor se escondia, pois que ainda não era chegada a hora do Seu Reino. No momento da Paixão, porém, Nosso Senhor aceita as honras de um Rei que o povo espontaneamente lhe oferece, ao jogar ramos à sua passagem, e a cantar “hosana ao Filho de Davi” e “bendito o que vem em nome do Senhor” (Mt. XXI, 9).
Mas aquele mesmo povo que o aclamou como rei, no momento da Paixão O abandonou totalmente, cobrindo-O das mais terríveis afrontas e desprezos:
“Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta. Pilatos disse aos judeus: ‘Eis o vosso rei!’ Mas eles clamavam: ‘Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o!’ Pilatos perguntou-lhes: ‘Hei de crucificar o vosso rei?’. Os sumos sacerdotes responderam: ‘Não temos outro rei senão César!’ Entregou-o então a eles para que fosse crucificado.” (Jo. XIX, 14).

O mundo moderno repete o pecado dos israelitas
Ao olhar essa cena do Evangelho, podemos reconhecer a situação do mundo atual. Após séculos de fé, em que os povos e nações reconheceram a soberania de Jesus, em que todas as pessoas reconheciam que Deus deve estar no centro das nossas vidas, vemos hoje, a cada dia, com tristeza, que muitos são os que abandonaram a fé e vivem como se Deus não existisse, promovendo todo tipo de imoralidade, indecência, fraude e mentira, fazendo ecoar, uma vez mais, o grito da multidão que condenou o Salvador: “Não queremos que este reine sobre nós”, ou pior, gritando “Crucifica-O! Não temos outro rei, senão César”.
Restaurar todas as coisas em Cristo
Nós, porém, que somos fiéis católicos, rezamos sempre no Pai Nosso: “venha a nós o Vosso Reino”. E isso nos obriga a lutar e trabalhar para que o Reino de Jesus Cristo seja uma realidade concreta, presente em nosso mundo, em nossas sociedades, em nossas famílias, e em nós mesmos.
São Pio X, quando foi eleito papa, escolheu o seguinte lema: “Instaurare omnia in Christo”, isto é, “Restaurar todas as coisas em Cristo”. Tomemos, também, nós, este lema na nossa vida pessoal. Se vemos o nosso mundo enfermo, doente, com a propagação de inúmeros crimes e pecados, por uma causa que todos nós conhecemos, que é o abandono de Deus, esforcemo-nos por reconduzir o mundo a Nosso Senhor, e isso podemos fazer por meio do APOSTOLADO.
Diante da situação atual, onde Deus é esquecido e o pecado se espalha cada dia mais, o cristão que não faz apostolado, que não busca reconduzir as almas a Cristo, comete a maior das covardias e infidelidades. Sejamos corajosos, olhemos o exemplo dos mártires do México e da Espanha no decorrer do século XX.
Vejamos, por exemplo, a história de São José Sanchez del Rio. A perseguição religiosa de 1926, promovida por Plutarco Elias Calles visou atingir a fé e o clero mexicano. A Santa Sé, em represália às perseguições, ordenou o fechamento de todas as Igrejas, e as missas passaram a ser celebradas de modo clandestino.
Iniciou-se, então, o levantamento de várias regiões de maioria católica, para lutar por Deus e pela Igreja, tendo por grito de guerra “Viva Cristo Rei”, daí o nome “Cristo reieros” ou, simplesmente “Cristeros”. José Sanchez del Rio, de 13 anos, quis se ao exército, ao que sua mãe ficou assustada, e disse: – Meu filho, uma criança da sua idade vai mais estorvar do que ajudar o exército. Ele respondeu: – Mas, mamãe, nunca foi tão fácil ganhar o Céu como agora! Não quero perder a ocasião.

Dois anos depois, esse jovem valente deu a sua vida pela fé, dizendo suas últimas palavras: – Viva Cristo Rei!
Estima-se que 25 mil católicos perderam a vida durante a perseguição religiosa no México.
A coragem de fazer apostolado
Nos tempos em que vivemos, a perseguição a Igreja, ao menos no Brasil, não é mais sangrenta. Ataca-se, porém, a fé de todos os modos possíveis, por difamações e mentiras. Aos católicos firmes na defesa da fé chamam de radicais, religiosos fanáticos, beatos e coisa do tipo.
E nós, iremos nos calar? Iremos nos acovardar? Tomemos o exemplo desse jovem e sejamos corajosos no apostolado, na defesa da fé, na pregação do Evangelho tanto nas palavras como nas boas obras. Não deixemos perder a ocasião de trazer uma alma que seja para Cristo.
Nosso Senhor é verdadeiramente nosso Rei, lembremos, pois, de nossas obrigações para com Ele:
O Reinado de Cristo em minha alma
Para que Cristo seja verdadeiramente o meu Rei, devo viver somente para Ele, fazendo a Sua vontade, cumprindo os Seus Mandamentos, obedecendo aos Preceitos que nos deu por Sua Igreja, buscando viver uma vida sacramental fervorosa (de confissão e comunhão frequente), e vivendo uma vida de piedade e oração constante, elevando sempre a nossa mente e o nosso coração para Deus.
O Reinado de Cristo na família
Jesus deve ser também Rei nas nossas famílias, e isso faremos por uma vida de piedade e oração em família, com todos unidos, de modo que os pais possam ser exemplos de vida de fé para os filhos. Se Cristo for o centro familiar, não haverá espaço para brigas e discussões inúteis, pois que na família cristã o demônio não tem lugar.
O Reinado de Cristo na sociedade
Mas Cristo deve reinar ainda nas nossas sociedades. O Católico tem a obrigação de transformar o mundo em que vive. Sendo consciente da sua missão de apostolado, e do seu dever de lutar pela moral e pelos bons costumes, combatendo as ideologias contrárias a fé que cada dia tem ganhado mais espaço.
Peçamos, caríssimos irmãos, à Santíssima Virgem, nossa Rainha, que nos ajude a sermos fiéis soldados de Cristo Rei. Peçamos, igualmente, que Ela nos conceda a graça da coragem no apostolado, tal como concedeu a São José Sánchez del Rio, para que tudo façamos sempre para a maior glória de Deus e para o estabelecimento do Seu Reino eterno entre nós.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!








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